Oportunidades perseguidas com determinação

Quando um empreendimento chega a um município, cria-se a expectativa da geração de empregos. As empresas, sempre que possível, dão prioridade à mão de obra local. No caso da PCH Paracambi, não foi diferente. Centenas de trabalhadores tiveram a oportunidade de se capacitar e descobrir uma profissão.

Porém, há sempre casos que chamam atenção pela determinação. Fernando Marques de Oliveira, 25 anos, morador de Guarajuba, em Paracambi, é um exemplo. Hoje, ele é um profissional da construção civil, exercendo o cargo de armador. Há um ano e cinco meses, Fernando era um trabalhador sem qualificação, mas com uma determinação que não poderia passar desapercebida.

Fernando sempre ajudou o pai no trabalho na roça e fez bicos como pedreiro. Desde que soube da chegada da PCH Paracambi, passou a bater ponto todos os dias no canteiro de obras. Saía de casa às quatro da manhã com um grupo de cerca de dez amigos, todos com a mesma determinação de conseguir uma oportunidade.

“No dia 28 de novembro de 2009, fui pela primeira vez para a porta do canteiro. Graças a Deus, entre o Natal e o ano-novo me deram uma oportunidade como diarista para cortar bambu. No dia 4 de janeiro, tive pela primeira vez a carteira assinada. Quatro meses depois, no dia do meu aniversário, 28 de maio, recebi o melhor presente da minha vida: fui promovido a meio oficial como armador. Passei de ajudante a profissional da construção civil. Em novembro, tornei-me armador”, conta orgulhoso Fernando, que já está construindo uma casa própria e tem data marcada para o casamento.

Do grupo de amigos de Guarajuba determinados a mudar o próprio destino, a maioria conseguiu uma oportunidade na PCH Paracambi. Um deles é Marino José Martins Neto, 34 anos, que já havia trabalhado de ajudante de pedreiro a vigia, mas não se sentia um profissional habilitado de nenhuma área.

A espera de Mariano foi um pouco maior, mas nem por isso ele pensou em desistir. “No dia 28 de março, fui chamado como diarista e no dia 1º de abril tive minha carteira assinada. Apesar da data, foi tudo verdade”, brinca o hoje meio oficial de armação. “Gosto demais do que estou fazendo. Me tornei um profissional”, afirma Marino.         

Outro exemplo de determinação, mas com enredo diferente, é o de Alex da Silva Santos, 25 anos. Morador de Paracambi, Alex já era um profissional de solda formado pelo Senai. Trabalhou por algum tempo fora de Paracambi no ofício, mas quando terminou o período pelo qual fora contratado, ficou desempregado. “Aqui temos a questão da distância. Dependemos do transporte, que acaba pesando na hora da contratação”, afirma Alex.

Por isso, o soldador, antes da chegada da PCH Paracambi, estava trabalhando há um ano numa peixaria no Centro de Paracambi. A chegada do empreendimento foi a oportunidade para Alex exercer sua formação profissional. “Gostei muito do que encontrei aqui. É difícil você ter uma empresa em que se entra como ajudante e sai um profissional”, comenta Alex.

Benefícios indiretos também são sentidos pela população

Para o secretário Municipal de Desenvolvimento de Paracambi, Leonardo Toledo, além das contrapartidas oficiais que geram benefícios como o Centro de Educação Ambiental, a PCH Paracambi trouxe retornos indiretos que nem sempre são percebidos pela população. “Passamos por um trauma com o fechamento da fábrica têxtil. Com a chegada da PCH Paracambi, respiramos aliviados”, afirma o secretário.

Dos empregos gerados e a qualificação da mão de obra na área da construção civil ao incremento da arrecadação municipal, passando pelo natural aumento do consumo no comércio local, tudo é benefício indireto que impactou positivamente o município.

Leonardo explica ainda que benefícios diretos como o patrocínio à tradicional Cantata de Natal paracambiense e a manutenção da estrada Eduardo Pereira Dias, mesmo após a finalização das obras da usina, ajudam o município a direcionar recursos para outras ações importantes.

Para o futuro, Leonardo destaca a formação do lago artificial da usina, que traz a perspectiva de geração de novos negócios. “Além disso, Paracambi passa a gerar energia para o estado. Este insumo fará parte da nossa arrecadação”, comenta.

Porém, de acordo com o secretário, o momento atual já é para ser comemorado. “Hoje, os novos empreendimentos que chegarem ao nosso município têm oferta de mão de obra qualificada: armador, pedreiro, carpinteiro, soldador. E para quem já estava instalado aqui, no pico das obras foram gerados cerca de 500 empregos diretos. Claro que os empresários sentiram o efeito positivo”, comemora Leonardo.

Quem confirma o que secretário diz é José Francisco Prado, proprietário há 21 anos da loja de materiais de construção Luz Forte. “De junho do ano passado para cá, meu faturamento cresceu 35%. O mais importante é que não foi apenas um pico, as vendas se estabilizaram num patamar acima. Tanto que hoje, aqui no Centro de Paracambi, é difícil ver uma loja fechada. É realmente um momento diferente”, assegura Prado.

Outro comerciante satisfeito com o momento atual é Valtair José de Almeida. A sapataria Almeida funciona há 52 anos no Centro de Paracambi. Desde 1999, Valtair está à frente da tradicional loja da família Almeida. “Não há dúvida que senti uma melhora. Há cerca de dois anos percebemos um aumento em torno de 30% no faturamento”, constata o comerciante.

Marino: “Me tornei um profissional.”
comerciante_valtair_almeida-pag3-300x174
José Prado: aumentou as vendas em 35%
Fernando, promoção no dia do aniversário
alex_soldador-259x300
Alex voltou a exercer a profissão
comerciante-Jose-Prado-pag3-259x300
José Prado: aumentou as vendas em 35%