Mudanças, para melhor

Grandes obras de infraestrutura sempre deixam um legado. Seja na construção de uma rodovia, uma ferrovia ou uma hidrelétrica, a chegada de empreendimentos deste porte traz desenvolvimento, gera emprego, renda e oportunidades que ajudam a mudar a vida das pessoas para melhor.

Foi o que aconteceu, por exemplo, com dona Antonina Gomes da Silva, 57 anos, e seu marido Antônio da Silva, 62 anos. O casal morava há 27 anos no bairro Ponte Coberta, no Km 217 da Rodovia Presidente Dutra. No local, arrendavam a terra do proprietário do sítio e tiravam o sustento da família colhendo banana.

Quando soube que o lago da PCH Paracambi cobriria o seu bananal, dona Antonina confessa que ficou “aperreada”. Afinal, o casal de agricultores, ela nascida no Rio Grande do Norte e ele no Paraná, escolheram aquele canto de chão para viver e criar os dois filhos, hoje já adultos. “Foi um período de incerteza, fiquei angustiada”, conta dona Antonina.

Porém, o que era motivo de temor transformou-se no canal para a realização de um sonho antigo. Há três anos, dona Antonina e seu Antonio são donos da terra em que vivem e trabalham. Um sítio no bairro Ponte Coberta, a cerca de seis quilômetros do antigo endereço. Homem da terra, seu Antônio conta que já plantou sozinho mais de mil pés de banana e garante que em breve chegará a quatro mil.

Além do bananal, o agricultor planta mamão, abacaxi, aipim, milho e 300 pés de mogno africano. Seu Antônio está preocupado em reflorestar parte do terreno. O motivo é mais do que pertinente, as árvores vão ajudar a preservar um verdadeiro tesouro do sítio: uma nascente de água limpa e cristalina.

Não é à toa que dona Antonina costuma chamar a nova residência de um pedaço do paraíso. “Este lugar é sossegado, bonito e posso chamar de nosso”, diz orgulhosa a agricultora, ao lado do marido.

Quem também está feliz com a mudança de endereço é dona Maria Aparecida dos Santos, 59 anos, conhecida por todos como dona Tosinha. Ex-moradora do Km 216 da Rodovia Dutra, dona Tosinha criou os três filhos às margens da principal rodovia do País. Foram 22 anos no sítio, plantando e colhendo frutas para vender na barraca montada na beira da estrada.

Exímia cozinheira, as refeições de dona Tosinha, servidas em quentinhas, também ficaram famosas entre os caminhoneiros. Porém, o tempo de ganhar o sustento à beira da rodovia já é passado. Filhos criados, Tosinha se mudou para um sítio no bairro de Cacaria, a cerca de sete quilômetros da antiga residência. “Apesar de perto, aqui é mais tranquilo. Não tem a violência e nem o barulho do tráfico pesado da Dutra. Eu sentada na varanda de casa, já vi até roda de caminhão solta passar por cima da minha cabeça”, lembra ela.

Além do novo sítio, Tosinha comprou com o dinheiro da indenização duas casas em Seropédica. Uma para um filho e outra para dona Edir Coutinho, 82 anos, que vivia dentro da antiga propriedade à beira da Dutra.

Dona Antonina agora tem seu próprio sítio
Dona Antonina agora tem seu próprio sítio
Dona Maria Aparecida dos Santos (Tosinha) feliz com a mudança de endereço