Voltando a produzir energia

Matéria publicada na Brasil Energia. Abril/12

Print_Materia_Light_Alta

REVISTA BRASIL ENERGIA ED.

ABRIL

Voltando a produzir energia
Rodrigo Polito

Neste mês a Light dá a partida na operação comercial da PCH Paracambi (RJ), de 25 MW. O empreendimento, de R$ 200 milhões, marca o retorno da companhia ao negócio de geração após 13 anos – desde 1999, quando inaugurou a UHE Santa Branca (RJ), de 58 MW, a empresa não mais investiu no segmento. Além disso, a PCH é o primeiro projeto de geração da companhia após sua reestruturação, que começou com a saída da EDF do controle e resultou na participação majoritária da Cemig.

A autorização da Aneel para implantar a pequena usina foi dada em 2001, mas as obras começaram apenas oito anos depois, no fim de 2009. O projeto original previa potência instalada de 30 MW. A capacidade, porém, foi reduzida em 5 MW em 2005, pois a área de alagamento iria ultrapassar o limite permitido. Com isso, o projeto tem duas máquinas Kaplan, de 12,5 MW cada.

Um ponto interessante sobre Paracambi é seu alto fator de capacidade. A usina utiliza água do Ribeirão das Lajes, transposição do rio Paraíba do Sul que enche o rio Guandu e abastece a região metropolitana do Rio de Janeiro. “Há uma disponibilidade hídrica quase perene”, destaca o diretor de Energia da Light, Evandro Vasconcelos.

Por conta do fator de capacidade da PCH, o volume de energia assegurada será muito próximo de sua capacidade instalada. A Light está recalculando a energia assegurada por conta da mudança no projeto original, mas tudo indica que ficará próxima de 22 MW médios – um fator de capacidade de 88%.

A energia da usina será vendida para os próprios acionistas do empreendimento – Light (51%) e Cemig (49%) – por meio de um power purchase agreement (PPA) de 20 anos de duração. Esse modelo de contratação permitiu obter do BNDES financiamento em torno de 70% do valor do investimento.

Segundo Vasconcelos, a parte da energia a ser gerada por Paracambi que cabe à Light já está negociada no mercado livre pelos próximos cinco anos.

Situada a jusante do Complexo de Lajes, de 612 MW, a PCH será automatizada, sendo operada a partir do centro de controle do próprio complexo. Cerca de um mês após a entrada em operação da primeira máquina será acionada a segunda turbina da usina.

A operação de Paracambi está três meses atrasada em relação ao cronograma inicial. De acordo com o diretor da Light, o motivo foi o aquecimento do mercado, que causou atrasos na entrega dos equipamentos eletromecânicos da usina.

Itaocara pode ficar para 2013
Rodrigo Polito

A Light terá de vencer três obstáculos para iniciar as obras da UHE Itaocara este ano. O primeiro é o licenciamento ambiental. Mudanças da equipe do Ibama que cuidava do projeto vão ampliar o prazo para a análise da licença de instalação da usina. Com isso, há risco de perda da janela hidrológica, em maio.

O segundo obstáculo é a explosão de preços no aquecido mercado construtor brasileiro, sobretudo no Rio de Janeiro, por conta da Copa do Mundo e das Olimpíadas, o que ameaça o orçamento inicialmente previsto. O investimento estimado é da ordem de R$ 1,1 bilhão, repartido por Light (51%) e Cemig (49%), com financiamento do BNDES.

O último é a falta de sinalização de preços no mercado livre. Segundo o diretor de Energia da Light, Evandro Vasconcelos, os preços estão camuflados pelos encargos do setor. Com isso, o valor atual da energia no mercado livre, da ordem de R$ 90/MWh, não viabiliza o projeto.

PCH Lajes

As atenções da Light também estão voltadas para a PCH Lajes (RJ), de 15 MW. A usina teve o estudo energético refeito e o projeto básico encaminhado à Aneel. A empresa aguarda apenas a aprovação da agência para iniciar as obras.

O investimento na PCH é da ordem de R$ 50 milhões. A companhia, porém, já investiu outros R$ 30 milhões na construção de uma adutora na região onde a usina será implantada.

“A usina é extremamente importante porque, além de aproveitar um remanescente de energia, ela vai dar maior confiabilidade ao abastecimento de água do Rio de Janeiro, na calha da Cedae”, explica Vasconcelos.

Além de Paracambi, Itaocara e Lajes, o portfólio de geração da Light inclui as participações na megausina de Belo Monte (PA), de 11.233 MW, e nas geradoras Renova Energia e Guanhães Energia.